Pensando nos dilemas da pesquisa sobre eleições no Brasil, a oficina propõe uma imersão teórico-metodológica para desvendar as engrenagens da disputa política, ofertando aos discentes um procedimento analítico que vê o processo eleitoral como palco de disputas ativas por visibilidade, classificação e legitimidade, onde recursos políticos inevitavelmente se entrelaçam aos midiáticos e afetivos. Num primeiro momento, serão apresentadas pesquisas já realizadas. Três trabalhos sobre grupos populacionais indicam que a “falta de representatividade” é produzida por filtros partidários, violências simbólicas e expectativas de performance, exigindo uma sociologia atenta a recursos, trajetórias e alianças. Dois estudos sobre comunicação política e impactos eleitorais apontam o enquadramento pelo qual discursos religiosos e a pauta anticorrupção ressignificam problemas socioeconômicos complexos em dilemas morais simplificadores na luta por legitimidade, demandando atenção à construção discursiva e às transformações sociotécnicas. Em seguida, uma atividade prática estimula os estudantes a construírem um desenho de estudo. Utilizando dados fornecidos pelos organizadores, os participantes devem formular e justificar problemas de pesquisa, construindo hipóteses falseáveis e descrevendo métodos e técnicas que permitam produzir inferências causais, assumindo explicitamente as limitações do desenho. Além disso, será ressaltada a importância de conduzir a escrita com linguagem clara e direta, compartilhar bases de dados para replicação, evitar gráficos e tabelas poluídas, etc. Assim, a oficina capacita os discentes a construir trabalhos robustos e replicáveis, que permitam compreender os mecanismos de produção da desigualdade representativa, contribuindo assim para um diagnóstico mais preciso das tensões constitutivas da democracia brasileira.