A oficina “Um corpo no mundo – um corpo no campo: o que mais entra em campo quando a sociologia se apresenta?” propõe refletir sobre a presença corporal do(a) pesquisador(a) como parte constitutiva do trabalho de campo. Partimos da ideia de que a pesquisa não é realizada por um sujeito neutro ou desencarnado: ao entrar em campo, levamos conosco um corpo situado, atravessado por marcadores sociais, formas de vestir, falar, ocupar espaços, sentir e ser percebido. Essas dimensões podem produzir aproximações, distâncias, acessos, recusas, constrangimentos, afetos e diferentes possibilidades de interlocução, participando ativamente da produção do conhecimento sociológico. A oficina será dividida em dois encontros, que combinarão conversa, exercícios reflexivos e compartilhamento de experiências de campo. No primeiro dia, “O corpo que entra em campo”, os(as) participantes serão convidados(as) a refletir sobre como seus corpos são apresentados, percebidos e classificados nas situações de pesquisa, considerando posicionamentos, expectativas, afetos e relações de poder. No segundo, “O campo que entra no corpo”, discutiremos como a experiência de pesquisa também afeta corporal e subjetivamente quem pesquisa, explorando desconfortos, medos, cansaços, deslocamentos, estratégias e aprendizados produzidos na prática. A proposta busca construir um espaço horizontal de troca sobre dimensões frequentemente pouco explicitadas nos textos metodológicos, valorizando o corpo não como obstáculo à objetividade, mas como elemento de reflexividade e produção situada do conhecimento sociológico.