A mesa-redonda propõe discutir as transformações contemporâneas nas relações entre religião e política no Brasil, considerando a crescente presença de atores, discursos e organizações religiosas na esfera pública. A proposta parte da compreensão de que a participação religiosa na política brasileira não se limita à atuação institucional das igrejas, mas envolve processos de mobilização social, formação de identidades políticas, disputas em torno de valores e diferentes estratégias de intervenção no debate público. Nesse contexto, a mesa pretende abordar a atuação de grupos católicos e evangélico-pentecostais, as relações entre pertencimento religioso e posicionamento político, a mobilização em torno de pautas relacionadas à família, sexualidade, gênero, educação e direitos reprodutivos, bem como os processos de aproximação entre lideranças religiosas e diferentes projetos políticos. Busca-se, ainda, compreender como essas disputas se articulam às transformações do espaço público e às novas formas de comunicação e mobilização proporcionadas pelo ambiente digital. A discussão também considera a diversidade interna do campo religioso e a inexistência de uma relação homogênea entre pertencimento religioso e comportamento político. Diferentes grupos, lideranças e indivíduos elaboram estratégias próprias de participação, estabelecem alianças e disputam interpretações sobre o papel da religião na sociedade e na política. Assim, a mesa pretende superar perspectivas que compreendam a influência religiosa exclusivamente como resultado da orientação institucional das igrejas, enfatizando os processos de negociação, conflito e construção de identidades que atravessam a relação entre religião e política. A partir das contribuições dos três pesquisadores convidados, pretende-se estabelecer um diálogo entre diferentes dimensões desse fenômeno, contemplando as formas de participação religiosa, as disputas políticas e culturais, a atuação de atores religiosos e as transformações recentes da esfera pública brasileira. A mesa busca, desse modo, contribuir para a compreensão das novas configurações da relação entre religião, política e sociedade no Brasil, especialmente diante dos desafios colocados pela crescente centralidade das disputas morais e identitárias e pela expansão das formas digitais de comunicação e mobilização política.